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controle de tripes

Controle de tripes na hidroponia.

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Controle de tripes na hidroponia.

Em decorrência da negligência no controle de tripes podem ocorrer perdas maiores que 50% na produção,  principalmente na fase juvenil da plantas.

A hidroponia é uma técnica que apresenta várias vantagens em comparação aos sistemas de produção convencionais, mas não é um sistema isento de danos econômicos decorrentes do ataque de insetos-pragas, sendo este um dos principais problemas recorrentes dos produtores.

É possível que esse problema seja um dos maiores desafios no cultivo protegido, principalmente pelo fato de o ambiente proporcionar as melhores condições para desenvolvimento e reprodução de espécies-pragas e, consequentemente, a redução da produtividade.

Em destaque

Entre os principais artrópodes/pragas encontrados no sistema de cultivo hidropônico, os tripes são insetos pequenos e de ocorrência nacional, que têm causado danos significativos, principalmente na fase juvenil da planta.

De acordo com Cortez e Teixeira (2005), perdas maiores que 50% na produção ocorrem em baixas pluviosidades e em decorrência da negligência no controle do inseto. Corroborando com esse entendimento, têm sido registrados danos econômicos de 40% na cultura da alface (Lactuca sativa L.) em outros países. Entretanto, estudos que estimam as perdas ocasionadas por tripes para a alface brasileira são escassos (Colariccio, 2017).

O que é o tripes

O tripes (Thysanoptero: Thripidae), de acordo com Medeiros e Villas Bôas (2012), é um pequeno inseto filófago, mas há também espécies que se alimen- tam de fungos ou outros insetos e são de menor importância agrícola.

Como são insetos pequenos (1,0 a 3,0 mm de comprimento), se observam, primeiramente, os sintomas visuais ocasionados na planta. Como os tripes se alimentam da seiva da região das folhas em desenvolvimento, no ápice das plantas podemos observar aspectos prateados ou com queimas e, além de pontuações escuras, é sinal de que há o vetor presente (Lima et al., 2016).

O inseto pode ser observado a olho nu, mas dificilmente será possível a distinção de qualquer parte anatômica específica, dadas as dimensões do mesmo. Para essa distinção, pode ser usada uma lupa conta fios (aumento de 10x) em nível de campo e rapidez.

Entretanto, a forma mais indicada para identificação do tripes é por meio da observação dos sintomas visuais ocasionados no vegetal, pois o inseto poderá não estar presente in loco.

Os sintomas podem ser divididos em diretos e indiretos, sendo o primeiro de menor importância agrícola. Os maiores danos são causados, na verdade, por um vírus, e é neste ponto que muitos produtores ficam confusos.

Ocorre que o tripes é vetor de uma série de vírus do tipo Tospovírus, que é conhecido por causar a doença denominada popularmente de vira-cabeça (Lima et al., 2016). São os sintomas desta doença que podem ser usados na identificação do ataque do inseto.

Identificando

Segundo Lima e colaboradores (2016), os sintomas diretos podem incluir áreas de coloração esbranquiçada a prateada e zonas necróticas, especialmente na parte interna das folhas, presença de pontuações escuras, os dejetos do inseto; folhas jovens podem ficar deformadas, além de coloração amarelo-esverdeada em situação de alta infestação.

Os sintomas indiretos variam muito entre culturas, porém, podemos tomar como exemplo as duas principais culturas hidropônicas produzidas no Brasil: a alface e o tomate, ambas suscetíveis ao vira-cabeça.

Na alface, em estudos desenvolvidos por Lopes, Duval e Reis (2010), observou-se que os sintomas se manifestam,

primeiramente, no pecíolo e no limbo das folhas jovens pela parte interna, onde aparecem pequenas lesões de coloração marrom-clara, de bordas bem definidas, que escurecem com o tempo, dando um aspecto rendilhado à folha.

A doença pode ocasionar má formação na cabeça da alface e, em casos de infecção precoce, causar a necrose generalizada das folhas, levando a planta ao colapso e resultando na redução da produtividade.

Sintomas

No tomateiro, os sintomas visuais são plantas com folhas de coloração bronzeada e, posteriormente, estrias negras no caule, além de frutos de coloração verde, apresentando manchas amareladas e o broto principal curvado (Madeiros e Vilas Bôas, 2012).

Em ambos os casos, as manchas causadas pela manifestação do vírus podem facilmente ser confundidas com manchas de fungos, o que pode induzir falsos diagnósticos. Logo, sempre é interessante ter cautela e analisar o ambiente para se chegar a um diagnóstico assertivo.

É importante ressaltar que o fator clima pode ser utilizado para identificação do organismo em uma tomada de medidas preventivas, com base no histórico de ataques.

Períodos de ocorrência

A incidência da tripes é registrada em certas épocas do ano em função do clima, em condições de baixas temperaturas associadas com estiagem (Madeiros e Vilas Bôas, 2012). No entanto, para Lopes e colaboradores (2010), a ocorrência está relacionada às estações mais quentes e com o índice de umidade relativa elevado.

Já em outras culturas, como a uva, o comportamento do tripes está associado ao ciclo da planta, e não ao ambiente. Em cultivo em hidroponia da região nordeste paraense, Emanuel Bonfim descreve que os ataques ocorrem mais nos meses chuvosos, que coincidem com o verão no hemisfério sul, mas que na sua região é popularmente chamada de inverno amazônico.

Por este motivo, é importante e aconselhável os registros dos ataques, afim de ter um banco de dados com o histórico de ocorrência, para melhor diagnóstico futuro, levando em consideração que os ataques e severidade não são semelhantes entre as regiões.

Prevenção e controle

Em cultivos hidropônicos, é preciso seguir uma regra de ouro, que é manter sua estufa limpa, de preferência desinfestando tubulações, descontaminando substratos e evitando matéria orgânica no chão, o que evitará maiores dores de cabeça não somente com as pragas (no caso o tripes), mas também com doenças. Da mesma forma, também deve-se fazer a limpeza das plantas (remoção de folhas mortas). É uma tarefa cansativa, mas é importante e aliada da procura por sintomas e insetos. Um único tripes não pode ser considerado uma praga, mas sinaliza que ele está presente e é um potencial risco para sua produção. Logo, a vigília constante de seus canteiros ou bancadas em busca de sintomas ou insetos também é muito importante.

Constatada a presença desses organismos, é recomendado fazer aplicações de produtos químicos e/ou alternativos, o que fica a critério do produtor.

As medidas de combate são feitas atacando o inseto, e não o vírus, pois é importante esclarecer que, segundo Lima et al. (2016), não existem medidas curativas para o vira-cabeça. Logo, o produtor não encontrará produtos químicos e/ou alternativos ao Tospovírus.

Em relação ao uso de produtos químicos utilizados pelos produtores, é recomendada a utilização do grupo químico neonicotinoide.

Entretanto, é imprescindível a consulta a um profissional especializado na área e/ou os engenheiros agrônomos, que direcionarão melhor o produtor.

Erros fatais

Sistemas hidropônicos recém-implantados, ou mesmo lavouras convencionais, geralmente dispõem de um breve período onde as plantas crescem livres de pragas. Isso pode causar uma falsa sensação de segurança para os produtores.

Os tripes são uma praga de difícil constatação nas lavouras recém-plantadas, mas que pode se instalar rapidamente se o manejo preventivo não for aplicado (Medeiros e Vilas Bôas, 2012).

Provavelmente o tripes um dia aparecerá em seu plantio de alface, e você deve estar preparado para pôr fim ao ataque logo nos estágios iniciais. Neste contexto, o principal problema é a demora na ação dos produtores, que por desinformação deixam a praga se consolidar.

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